30 julho 2009

O mundo visto pelo olhar de Milton Santos.

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Abaixo, um trecho do livro O país distorcido, do geógrafo brasileiro Milton Santos, da editora PubliFolha.

Por uma globalização mais humana

"A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos -- a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização."
Fonte: FolhaOnline 06/05/2007

28 julho 2009

A morte de Merce Cunningham.

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Matéria publicada pelo jornal The New York Times sobre o coreógrafo norte-americano Merce Cunningham, ocorrida no último domingo. Recomendação especial para o álbum de fotos. Esta foto, de Andrea Mohin/The New York Times, foi retirada desse álbum.

18 julho 2009

A música de Armand Amar para o filme "Home".

Um trailer diferente, da música composta pelo israelense Armand Amar para o belo documentário do cineasta e fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, Home.

Um novo mundo cruel.

image Entrevista com Zygmunt Bauman, publicada hoje no Caderno Ñ, do jornal Clarin, de Buenos Aires. ”El sociólogo que sacudió a las ciencias sociales con su concepto de "modernidad líquida" advierte, en una entrevista exclusiva, que hay un temible divorcio entre poder y política, socios hasta hoy inseparables en el estado-nación. En todo el mundo, dice, la población se divide en barrios cerrados, villas miseria y quienes luchan por ingresar o no caer en uno de esos guetos. Aún no llegamos al punto de no retorno, dice con un toque de optimismo.”

01 julho 2009

Sempre Pina Bausch.

image Pina Bausch, 1983, no papel da Principessa Lherimia, no filme de Federico Fellini, E La Nave Va. Ver matéria de Joachim Kronsbein (e mais fotos) publicadas hoje no jornal alemão Der Spiegel: Life After Pina Bausch.

Um obituário para Pina Bausch.

image Pina Bausch: Café Müller. Barcelona-2008.

El cariño de sus manos. Por Eva La Yerbabuena (bailaora y amiga de Pina Bausch). "No encuentro las palabras adecuadas para describir no sólo el nivel artístico, sino la calidad humana de Pina. Llegó a mi vida justo cuando yo más la necesitaba, porque acabó con un montón de dudas que me corroían: cómo compartir horas con los músicos y los bailarines, cómo explicarles lo que sientes... Yo no sabía si abrirme plenamente a la gente. Pina me guió con frases como: "No me interesa cómo se mueve alguien sino qué la conmueve". O "trabaja siempre con la intuición y el corazón". Pina lo ha dado todo por la danza, cada uno de sus poros emanaba danza; se sumergía tanto en su pasión que se le olvidaba comer y había que recordárselo. Con sólo mirarla a los ojos veías lo especial que era y su energía, su agilidad, su sutileza... Para mí Pina lo encierra todo. Cualquiera que la viera sintió que Pina le estaba contando algo. La primera vez que fui al festival de Wuppertal viví el cuento de la cenicienta: no conocía a Pina; y algo, no mucho, de la danza contemporánea, como Ana Laguna. Y justo me crucé a mi llegada con Ana: no pude aguantar los gritos de emoción. Aquella noche Pina asistió a mi espectáculo, y me sorprendió verla tan emocionada, lo cual me hizo muy feliz. A Pina le encantaba el flamenco. Una de mis ilusiones hubiera sido haber compartido escenario con ella. Le dieron un premio en Valencia, fui allí, y le conté mi ilusión -ni me atrevía a pedírselo porque me parecía una osadía-. Pina sacó un calendario gigante, me buscó un hueco y empezamos a colaborar. La última vez que la vi fue en noviembre, en Wuppertal. Al final de mi espectáculo, cenamos. Recuerdo de ese momento su tacto, sus abrazos, su ternura. Le pedí que se cuidara y me respondió que lo hacía. No olvidaré aquel cariño que salía del tacto de sus manos". La Nacion, 01/07/2009.