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14.1.22

"Memória para o esquecimento", do palestino Mahmud Darwich

"Eu quero o aroma do café. Nada além do aroma do café. De cada dia,não quero nada além do aroma do café para me manter unido, me erguer, passar de algo que rasteja a um ser ereto, colocar de pé o que me cabe deste amanhecer, para que possamos sair à rua, este dia e eu, à procura de outro lugar."
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"Como posso lavrar o aroma do café em minhas células, enquanto as bombas avançam pela fachada da cozinha que fica de frente para o mar, espalhando o cheiro de pólvora e o gosto do nada? Começo a medir o tempo entre duas bombas. Um segundo. Um segundo é mais breve que o tempo entre inspirar e expirar, entre dois batimentos cardíacos."
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"E o café, para quem como eu o conhece, significa fazê- lo com as próprias mãos, e não recebê- lo numa bandeja, pois quem traz a bandeja traz junto a conversa, e a primeira xícara de café, a virgem da manhã silenciosa, é arruinada pela conversa. O amanhecer, o meu amanhecer, é avesso à fala. O aroma do café pode absorver sons - mesmo um animado e gentil ´Bom dia!´- e rançar."
(Trechos do belíssimo livro do escritor palestino Mahmud Darwich [1941-2008], editado pela Tabla (2020), com uma primorosa tradução de Jafa Jubran. Altamente recomendável!)

"Vidas palestinas importam". Belíssimo texto da professora Samira Osman sobre o livro do poeta Darwich, publicado no site da Quatro cinco um.

 

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