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28.3.26

Antônio Cícero, sobre poesia e filosofia


Este texto do poeta Antônio Cícero (Rio de Janeiro 06/10/ - Zurique,Suíça 23/10/2024) foi publicado no jornal Folha de São Paulo/caderno Ilustrada,  em 02 de junho de 2007. A leitura é altamente recomendável. Encontrei-o em minhas prateleiras digitais e em virtude de estudos que venho realizando, achei importante disponibilizá-lo aqui. 

"Pois bem, assim são os poemas: objetos de palavras, com todos os seus sentidos, seus referentes, seus sons, seus ritmos, suas sugestões, seus ecos. À primeira vista, eles nos falam, por exemplo, sobre uma pedra que havia no meio do caminho. Mas eles não são, no fundo, feitos para falar sobre pedras ou sobre coisa alguma. Ao contrário: como os quadros, eles são feitos para que nós pensemos sobre eles, e para que pensemos a partir deles com todas as nossas faculdades, e até com nossos corpos."
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Enquanto o valor do poema não é dado pelo que fale sobre coisa alguma, pois a sua função, enquanto poema, não é falar sobre coisa alguma, o valor do discurso filosófico está no que fala sobre as coisas, mesmo quando a coisa de que fala seja a própria filosofia."

   Foto: Homero Sérgio - 09/03/1988 - Folhapress

A última carta de Antônio Cicero

"Queridos amigos,

Encontro-me na Suíça, prestes a praticar eutanásia.

O que ocorre é que minha vida se tornou insuportável. Estou sofrendo de Alzheimer.

Assim, não me lembro sequer de algumas coisas que ocorreram não apenas no passado remoto, mas mesmo de coisas que ocorreram ontem.

Exceto os amigos mais íntimos, como vocês, não mais reconheço muitas pessoas que encontro na rua e com as quais já convivi.

Não consigo mais escrever bons poemas nem bons ensaios de filosofia.

Não consigo me concentrar nem mesmo para ler, que era a coisa de que eu mais gostava no mundo.

Apesar de tudo isso, ainda estou lúcido bastante para reconhecer minha terrível situação.

A convivência com vocês, meus amigos, era uma das coisas - senão a coisa - mais importante da minha vida. Hoje, do jeito em que me encontro, fico até com vergonha de reencontrá-los.

Pois bem, como sou ateu desde a adolescência, tenho consciência de que quem decide se minha vida vale a pena ou não sou eu mesmo.

Espero ter vivido com dignidade e espero morrer com dignidade.

Eu os amo muito e lhes envio muitos beijos e abraços!"

https://www.terra.com.br/diversao/antonio-cicero-leia-a-carta-de-despedida-do-poeta-que-praticou-o-suicidio-assistido-na-suica,6ea28237409bc60d7d6d151806fc0ccbf5p8n3zh.html?utm_source=clipboardnoa [Nova leitura em 28/03/2026] 

9.3.26

Natalia Ginzburg | Breviário do escritor

Texto  publicado em 21 de junho de 1964 na revista semanal L’Espresso com o título Quando lo scrittore è innamorato (Quando o escritor está apaixonado) e o subtítulo 35 consigli per scrivere un romanzo (35 conselhos para escrever um romance). Em 2017, o ano seguinte ao centenário de nascimento de Natalia Ginzburg (1916-91), foi republicado em um número dedicado à obra da escritora italiana, organizado por Maria Antonietta Grignani e Domenico Scarpa, na revista Autografo, do Centro Manoscritti, da Universidade de Pavia, com o título que consta nos manuscritos conservados no arquivo de Ginzburg, Breviario dello scrittore.
Disponível em Revista Piauí | Edição 234 | Março 2026

Antônio Cícero, sobre poesia e filosofia

Este texto do poeta Antônio Cícero (Rio de Janeiro 06/10/ - Zurique,Suíça  23/10/2024)  foi publicado no jornal Folha de São Paulo/caderno I...