Passou por aqui, a propósito e por bela motivação. Nunca será demais assistir novamente ao interessante documentário.
Conversas sobre as coisas que leio, ouço, vejo e quero compartilhar. Um arquivo de textos jornalísticos e críticos e imagens...fragmentos de ideias, imagens e pensamentos sobre as coisas pelas quais me interesso: arquitetura, artes, cidades, cinema, design, filosofia, fotografia, literatura, memória, moda, música... Peço que, ao mencionarem ou reproduzirem o conteúdo deste blog, deem os créditos, especialmente das fontes originais (Mário Santiago)
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17.11.25
9.1.22
Claude Lévi-Strauss: "Elogio del trabajo manual"
Foto de Lévi-Strauss, no Collège France, em
1992 (fotógrafo não identificado)
Recomendo a leitura do excelente discurso pronunciado pelo antropólogo francês por ocasião do recebimento do Premio Internacional Nonino (Udine, Italia) em 1986, transcrito do excelente blog Nota Antropologica, onde pode ser lido na íntegra.
"Subsiste aún hoy una
complicidad entre esa visión de las cosas y la sensibilidad del campesino y el artesano
tradicionales. Estos, efectivamente, por seguir manteniendo un contacto directo
con la naturaleza y con la materia, saben que no tienen derecho a violentarlas,
sino que deben tratar pacientemente de comprenderlas, de atenderlas con
cautela, diría casi de seducirlas, a través de la demostración permanentemente
renovada de una familiaridad ancestral hecha de cogniciones, de recetas y de
habilidades manuales transmitidas de generación en generación.
Por eso el trabajo manual,
menos alejado de lo que parece del pensador y del científico, constituye
asimismo un aspecto del inmenso esfuerzo desplegado por la humanidad para
entender el mundo: probablemente el aspecto más antiguo y perdurable, el cual,
más próximo a las cosas, es también el más apto para hacernos captar
concretamente la riqueza de éstas, y para nutrir el asombro que experimentamos
ante el espectáculo de su diversidad.
En la actualidad, nos
dedicamos a organizar bancos de genes para preservar lo poco que sobrevive de
las especies vegetales originales creadas a lo largo de los siglos por modos de
producción totalmente distintos de los practicados ahora. Esperamos también
eludir los peligros de la llamada ´revolución verde´, vale decir, una
agricultura reducida a pocas especies vegetales de gran rendimiento, pero
tributarias de sustancias químicas y cada vez más vulnerables a los agentes
patógenos."
3.11.09
A aventura etnológica.
"La tâche essentielle de quelqu'un qui consacre sa vie aux sciences humaines, c'est de s'attaquer à ce qui semble le plus arbitraire, le plus anarchique, le plus incohérent, et d'essayer de découvrir un ordre sous-jacent ou du moins d'essayer de voir s'il existe un ordre sous-jacent."
(Claude Lévi-Strauss, La grande aventure de l´ethnologie Parte I e Parte II, texto publicado no jornal Le Nouvel Observateur em 17/05/1968).
Dossier sobre Claude Lévi-Strauss.
Dossier sobre Claude Lévi-Strauss publicado no
Nouvel Observateur.
Mais notícias sobre a morte de Claude Lévi-Strauss.
Link para a minha página no Google Notícias, onde podem ser lidas muitas informações que acabam de ser publicadas na imprensa sobre a morte do importante pensador.
Adeus, grande mestre!
Anunciada, há poucos minutos atrás, a morte, aos 100 anos, do antropólogo e filósofo Claude Lévi-Strauss.
"O etnólogo e antropólogo estruturalista belga Claude Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. As informações são do jornal francês ´Le Monde´.
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos em 28 de novembro, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.
De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro ´Tristes Trópicos´ (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.
Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.
O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. ´Estruturalismo´, diz Lévi-Strauss, ´é a procura por harmonias inovadoras´.
Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em ´O Pensamento Selvagem´, que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.
Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: 'Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente'". Nota transcrita na íntegra do Portal UOL.
Cronologia da obra de Claude Lévi-Strauss (Portal UOL).
Outra nota publicada no Portal UOL.
Galeria de fotos (UOL), com fotos de quando o antropólogo viveu no Brasil.
Dossier no jornal francês Le Monde.
Morin: Convite ao indispensável viver poético
"Filósofo: o mundo vive a metástase do ego que suplanta o pensamento complexo. Guerra sem fim e democracia em crise são sintomas. Mas...