"Guerra e Paz"




Esta foto foi feita numa tarde quente de domingo, em 2013,
na exposição dos painéis Guerra e Paz (1952-1955),
no Cine Brasil - Vallourec, em Belo Horizonte.
Lembro sempre do dia em que eu vi (1958), pela primeira vez, uma 
foto destes painéis, publicada na revista O Cruzeiro (1958), quando estavam sendo entregues pelo governo brasileiro à sede da ONU, em New York.

(João Cândido Portinari)


 

Entrevista com João Candido Portinari

"Ser um “portinari” — dizia a plaquinha com data de 914 rastreada na Internet — significava encontrar alegria na felicidade do outro, ajudar o próximo, emprestar o ombro."
(trecho da entrevista com o filho de Portinari, publicada pela Fundação Osvaldo Cruz)

Cartas de Mário de Andrade a Portinari

Alguns posts inspirados na leitura do livro Portinari amico mio - cartas de Mário de Andrade a Candido Portinari, Organização, introdução e notas de Annateresa Fabris (Editora Autores Associados, Campinas, 1995).



  Fragmentos do livro de Annateresa Fabris

Algumas obras citadas no livro acima podem ser vistas aqui. 
















         
      





"O homem amarelo", de Anita Malfatti


Ele traz uma aguda melancolia no seu olhar vago e distante.
Ainda que se apresente de gravata, seu paletó encontra-se visivelmente degastado e mal ajeitado no corpo contorcido, transpondo os limites da tela, característica comum aos trabalhos da pintora.
Seus olhos escuros são delimitados por contornos pretos, com espessas sobrancelhas em forma de acento circunflexo.
O modelo pintado encontra-se desajeitadamente na tela, que não o acomoda por inteiro, como se ali não o coubesse.
No seu espaço limitado, ele tem as duas mãos eliminadas pelo enquadramento.
Seu torso está inclinado para a sua direita, enquanto a cabeça reclina-se levemente para a esquerda.
Seus braços mostram-se arqueados. A postura de seu corpo deixa à vista sua tensão.
Ele se mostra oprimido.
A ansiedade do homem pode ser sentida através de sua expressão tensa e de seus olhos que perscrutam acima do ombro direito.
Seu rosto, voltado para a direita, deixa à vista apenas uma pequenina parte da orelha do mesmo lado.
As vestes do homem amarelo também revelam a sua apreensão.
Seu paletó está desalinhado, com a lapela direita quase roçando sua bochecha.
A gravata faz uma ligeira curva para a direita, sobre sua camisa branca manchada.
O quadro foi comprado por Mário de Andrade, conforme prometera à artista.
Ele disse: ´Estou impressionado com este quadro, que já é meu, mas um dia eu virei buscá-lo´.” (Interessante descrição do quadro O homem amarelo, 1916, de Anita Malfatti)

Os cadernos-diários de Anita Malfatti - Roberta Paredes Valin

"Este trabalho tem por objetivo analisar os cadernos de desenho da artista brasileira Anita Malfatti que remetem à sua estadia em Paris, entre 1923 e 1928, pelo Pensionato Artístico de São Paulo, todos salvaguardados pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. A partir do mergulho nas muitas páginas desenhadas do universo íntimo da criação da artista, outros objetivos puderam ser alcançados. Primeiramente, a pesquisa retomou o debate acerca dos rumos da produção de Anita Malfatti pós 1917, compreendendo esse período como uma espécie de laboratório experimental sob a luz de um “particular Retorno à Ordem”, que antecede o que faria anos mais tarde em Paris. Em seguida, a pesquisa buscou reconstruir a trajetória da artista na capital francesa, recuperando sua passagem pelas academias e ateliês de arte, percurso esse fundamental para compreender sua produção pictórica no período em questão. Não obstante, uma análise mais aprofundada, no que aqui definimos como seus cadernos-diários da criação, possibilitou compreender suas principais obras, especificamente, A Mulher do Pará, La rentreé, Puritas e Ressurreição de Lázaro, a partir do diálogo com os esboços das próprias neles presentes. No que concerne à tela Ressurreição de Lázaro, a pesquisa reconstruiu seu trajeto de criação através da articulação de uma documentação de cunho pessoal, não só os cadernos de desenho, objeto de estudo desse trabalho, como sua correspondência com o escritor Mário de Andrade, e uma série de fotografias de pinturas célebres italianas tiradas pela própria artista, importantes referências do Trecento e Quattrocento italianos para o seu trabalho em Paris. Essa obra, contudo, por ser vista como obra-tese para o final do estágio, ganha um espaço importante nesse trabalho, uma vez que é definida como seu grande projeto pictórico, cujo início se dá ainda no primeiro ano em que a artista por lá esteve e sua finalização no mesmo ano de seu retorno ao Brasil. Deste modo, trata-se de uma pesquisa que busca compreender as obras da década de 1920 da artista à luz do seu processo de criação, cujos registros testemunham o percurso complexo do vir a ser das pinturas em que a artista dialoga conscientemente com a vanguarda e a tradição. " (Resumo da dissertação de mestrado de autoria de Roberta Paredes Valin).

Diário de Anita Malfatti retrata o início de sua carreira

“Trinta de maio foi sábado e dele só me lembro quando ao lusco-fusco apareceu Freitas Valle com todos seus satélites, sendo os principais Zadig e Elpons (…) quando mamãe perguntou se ele gostava do retrato de Georgina, disse ele – Minha senhora, não se ofenda se sou franco, mas esse quadro está crivado de erros, o desenho é fraco e é um carnaval de cores. O valor artístico não tem nenhum.”  (Matéria interessantíssima publicada no jornal da USP do dia 08/03/2017)

Mario de Andrade e a literatura epistolar

"Pós-Modernidade: tempo da velocidade, da imagem, da linguagem cifrada da comunicação digital. O que levaria uma jovem a interessar-se pela leitura de cartas manuscritas trocadas entre artistas (escritores e pintores), nas primeiras décadas do século XX? Talvez, quem sabe, a descoberta e o prazer, propiciados pela leitura, de voltar no tempo, um tempo marcado pelas mudanças trazidas pela modernidade: a luz elétrica, o bonde, as novas avenidas, os primeiros cafés." (Texto integral do artigo assinado por Ana Carolina Simões Fatecha, Sandra Maria Costa Cardoso e Verônica de Almeida Soares). Leitura recomendável

A revolução de Mario de Andrade

"Um país é especialmente contraditório quando dá as costas para aqueles que mais o defendem. Mário de Andrade fez muito pelo Brasil, mas foram necessárias sete décadas de ausência sua para que começássemos a fazer jus à sua suculenta obra artística e ao seu valioso legado de gestor cultural, ainda tão pouco analisado. Esse lapso por fim se vê ameaçado em 2015, ano em que se celebram os 70 anos de sua morte, com uma série de homenagens e conteúdos que pretendem jogar luz sobre sua marca modernista e também sobre sua trajetória pessoal." (Trecho da matéria publicada no jornal El País/Brasil, em 10 Maio 2015)

"Guerra e Paz"

Esta foto foi feita numa tarde quente de domingo, em 2013, na exposição dos painéis Guerra e Paz (1952-1955), no Cine Brasil - Vallourec, e...