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Conversas sobre as coisas que leio, ouço, vejo e quero compartilhar. Um arquivo de textos jornalísticos e críticos e imagens...fragmentos de ideias, imagens e pensamentos sobre as coisas pelas quais me interesso: arquitetura, artes, cidades, cinema, design, filosofia, fotografia, literatura, memória, moda, música... Peço que, ao mencionarem ou reproduzirem o conteúdo deste blog, deem os créditos, especialmente das fontes originais (Mário Santiago)
Este texto do poeta Antônio Cícero (Rio de Janeiro 06/10/ - Zurique,Suíça 23/10/2024) foi publicado no jornal Folha de São Paulo/caderno Ilustrada, em 02 de junho de 2007. A leitura é altamente recomendável. Encontrei-o em minhas prateleiras digitais e em virtude de estudos que venho realizando, achei importante disponibilizá-lo aqui.
"Pois bem, assim são os poemas: objetos de palavras, com todos os seus sentidos, seus referentes, seus sons, seus ritmos, suas sugestões, seus ecos. À primeira vista, eles nos falam, por exemplo, sobre uma pedra que havia no meio do caminho. Mas eles não são, no fundo, feitos para falar sobre pedras ou sobre coisa alguma. Ao contrário: como os quadros, eles são feitos para que nós pensemos sobre eles, e para que pensemos a partir deles com todas as nossas faculdades, e até com nossos corpos."
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"Enquanto o valor do poema não é dado pelo que fale sobre coisa alguma, pois a sua função, enquanto poema, não é falar sobre coisa alguma, o valor do discurso filosófico está no que fala sobre as coisas, mesmo quando a coisa de que fala seja a própria filosofia."
Texto publicado em 21 de junho de 1964 na revista semanal L’Espresso com o título Quando lo scrittore è innamorato (Quando o escritor está apaixonado) e o subtítulo 35 consigli per scrivere un romanzo (35 conselhos para escrever um romance). Em 2017, o ano seguinte ao centenário de nascimento de Natalia Ginzburg (1916-91), foi republicado em um número dedicado à obra da escritora italiana, organizado por Maria Antonietta Grignani e Domenico Scarpa, na revista Autografo, do Centro Manoscritti, da Universidade de Pavia, com o título que consta nos manuscritos conservados no arquivo de Ginzburg, Breviario dello scrittore.
Disponível em Revista Piauí | Edição 234 | Março 2026
Pat Metheny e Charlie Haden, Cinema Paradiso
Outra e interessante edição do belo concerto dos dois grandes músicos.
Passou por aqui, a propósito e por bela motivação. Nunca será demais assistir novamente ao interessante documentário.
"Desde os tempos em que era entendida como instrumento de afirmação da identidade
nacional até agora, a literatura brasileira é um espaço em disputa. Afinal, está em jogo a possibilidade
de dizer sobre si e sobre o mundo. Hoje, cada vez mais, autores e críticos se movimentam na cena
literária em busca de espaço – e de poder, o poder de falar com legitimidade ou de legitimar aquele
que fala. Daí os ruídos e o desconforto causados pela presença de novas vozes, “não autorizadas”; pela
abertura de novas abordagens e enquadramentos para se pensar a literatura; ou, ainda, pelo debate da
especificidade do literário, em relação a outros modos de discurso, e das questões éticas suscitadas por
esta especificidade."
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"Por isso, a entrada em cena de autores (ou autoras) que destoam desse perfil causa desconforto
quase imediato. Pensem no senhor que conserta sua geladeira, no rapaz que corta seu cabelo, na sua
empregada doméstica – pessoas que certamente têm muitas histórias para contar. Agora colem o retrato
deles na orelha de um livro, coloquem seus nomes em uma bela capa, pensem neles como escritores. A
imagem não combina, simplesmente porque não é esse o retrato que estamos acostumados a ver, não é
esse o retrato que eles estão acostumados a ver, não é esse o retrato que muitos defensores da Língua e da
Literatura (tudo com L maiúsculo, é claro) querem ver. Afinal, nos dizem eles, essas pessoas tem pouca
educação formal, pouco domínio da língua portuguesa, pouca experiência de leitura, pouco tempo para
se dedicar à escrita."
Recomendo acesso a um texto muito interessante de autoria da professora Regina Dalcastagnè , cujo resumo está acima.
Bom dia e bom Domingo! Vale também desejar um bom Setembro, que começa amanhã. Depois de quase um mês sem aparecer por aqui, volto, por um bom motivo, para recomendar o belo documentário desse diretor brasileiro, de ascendência cearense e argelina, Marinheiro das montanhas. Assisti ao filme na TV ontem à noite e, de tanto que gostei, resolvi compartilhar e recomendar. Inevitável foi a comparação com o cinema do grande português Manoel de Oliveira (que está no topo da minha lista de diretores preferidos). Se puderem, assistam e comentem a experiência por aqui. O comentário que segue através do link foi um dos melhores que encontrei sobre o filme, pelo menos até agora. Outros poderão chegar até aqui, tão logo eu os encontre.
Ensaio crítico
Nos últimos dias andei lendo alguns ensaios, entrevistas e capítulos de livros do francês Nicolas Bourriaud. Entre esses textos, me chamou muito a atenção este artigo publicado na Chimères. Revue des schizoanalyses (1994) sobre o livro Caosmose - Um novo paradigma estético, de Félix Guattari. Recomendo muito o artigo de Bourriaud e tantos outros artigos publicados nos mesmo número 21 da revista, bem como o livro de Guattari.
"Con 19 años leí Las palabras y las cosas, de Foucault y los Escritos de Lacan. Después salí a la calle y vi todo escrito: la ciudad estaba escrita. Yo había prestado atención a los significados (“Viva la unidad popular” o “Viva la resistencia del pueblo”) pero, de pronto, ver la combinatoria entre significante y significado me hizo pensar en la materialidad del discurso de otra manera. Entonces me empezaron a interesar aquellos que se resistían a que el sentido se difundiera rápidamente. Si un sentido se hace demasiado evidente se erosiona con rapidez."
Recomendável a leitura desta entrevista com o psicanalista argentino, há anos residindo na Espanha, publicada recentemente no jornal El País. Igualmente recomendável,a sua newsletter).
“Nuestro deseo, que no para de crecer, es lo que ha exacerbado el capitalismo”.
Após a leitura da entrevista acima, recomendo outra entrevista do pensador argentino a Esther Peñas:
"Perdemos lo inapropiable. Si todo esto que está describiéndose en estas páginas, el tecnocapitalismo, la IA, la mutación antropológica, el tecnoceno, los automatismos, los algoritmos, las operaciones de la técnica… que está dominando el horizonte de la experiencia, si todo eso lograra tocar el lenguaje y la esencia del mismo, la poesía, no creo que haya posibilidades políticas de ningún tipo. Ahora más que nunca lo político depende de lo poético."
"El no a la ultraderecha no solo se juega en las urnas, sino que es una práctica cotidiana de la amistad, y una reinvención de la misma en donde se pueda discutir cómo se comparte la aventura de frenar la amenaza fascista."
(Do texto publicado hoje, 27 Jul. 2025)