Lançamento do livro “Celso Furtado - Correspondência intelectual 1949-2004”


Rosa Freire d’Aguiar, Luiz Felipe de Alencastro e Paulo Nogueira Batista no encontro virtual para o lançamento do livro que reúne cartas de Celso Furtado com vários interlocutores brasileiros e estrangeiros (14 Abr. 2021).

"Além dos mais de trinta volumes em que se dedicou a compreender e interpretar a história econômica brasileira, Celso Furtado deixou cerca de 15 mil cartas em seu acervo pessoal. Organizada numa seleção inédita, a correspondência revela não apenas seu dia a dia como professor e pesquisador, mas também um diálogo efervescente de ideias com outras figuras de proa da época, com quem Furtado dividiu reflexões sobre o desenvolvimento do Brasil e da América Latina, afinidades e discordâncias teóricas, e as angústias decorrentes do golpe militar de 1964.

Classificadas entre interlocutores brasileiros e estrangeiros, e ora agrupadas em eixos temáticos, as quase trezentas cartas vêm acompanhadas de textos introdutórios e de um rico aparato de notas, que contextualizam os personagens e eventos históricos. O resultado é uma janela singular tanto para a vida e a obra do autor de Formação econômica do Brasil como para as discussões intelectuais que pautaram o mundo pós-Segunda Guerra Mundial."

Celso Furtado: "Obra autobiográfica", resenhado por Alfredo Bosi


 













Trecho da resenha para o livro Obra autobiográfica, assinada pelo Professor Alfredo Bosi, publicada originalmente na Folha de São Paulo em 08 Nov. 1997 e republicada recentemente no site A terra é redonda.

Encontro com a História em casa - Correspondência Intelectual de Celso F...


"Para contar algumas reflexões do economista e levar alguns de seus pensamentos às novas gerações, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) abre a série Encontros com a História em Casa de 2021 com a live de lançamento do livro Correspondência Intelectual de Celso Furtado. O evento acontece no dia 15 de abril e conta com a participação especial da jornalista e premiada tradutora Rosa Freire D´Aguiar, viúva de Celso Furtado, responsável pela organização dos livros Diários intermitentes de Celso Furtado - 1937-2002 e Correspondência Intelectual de Celso Furtado - 1949-2004, este último, lançado em abril pela editora Companhia das Letras, apresentando a troca de 300 cartas entre o intelectual e diversos políticos, professores e economistas contemporâneos que foram observadores da história da segunda metade do século XX.

Com mediação de Priscila Faulhaber, pesquisadora da Coordenação de História da Ciência e Tecnologia do MAST, o bate-papo também conta com as ilustres presenças do historiador Francisco Carlos Teixeira Da Silva, cientista político e autor de livros sobre conflitos e mudanças sociais, e também da economista Inês Patrício, professora de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade e doutora em Ciência Política."

Lançamento do livro que traz a correspondência intelectual de Celso Furtado



"Neste webinar, promovido pela Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), em parceria com a Companhia das Letras, é debatido o lançamento da correspondência de Celso Furtado, selecionada por Rosa Furtado. Os participantes falam sobre a correspondência intelectual de Celso Furtado desde 1949, quando ele entra na Cepal, em Santiago, até 2004, ano de sua morte. Destacam-se as cartas trocadas com Raul Prebisch, Alberto O. Hirschman e Fernando Henrique Cardoso, em momentos críticos da história latino-americana e brasileira."

As cartas de Celso Furtado

 











Foto: UH/Folhapress

Nosso destino é a estupidez, é o titulo da nota do escritor Ruy Castro sobre o livro Celso Furtado - Correspondência intelectual 1949 - 2004, publicada no jornal Folha de São Paulo do dia 25 Abr. 2021.

"
Em 1964, o Brasil ficou impossível para Celso Furtado --- que os outros países, agradecidos, acolheram."

Paul Singer - a democracia levada ao limite










Paul Singer (1932/2018)

Foto: Wikimedia Commons 

Abaixo, um trecho da nota sobre o documentário Paul Singer: uma utopia militante,realizado pelo cineasta Ugo Giorgetti, publicada no Jornal da USP.

“Ele foi um socialista próximo da social-democracia e isso me interessa muito”, continua Giorgetti, para quem Singer pode ser considerado um homem de ação que procurou fazer o possível, sem guiar-se por uma utopia, enquanto levava ao limite a ideia de democracia. “É uma coisa que veio da Revolução Francesa: igualdade, fraternidade e liberdade. Se você não tem uma das três, você não é democrata e também não é de esquerda. Porque a esquerda é isso – levar a democracia ao seu limite.” 

No final do 26° Festival É Tudo Verdade


A cineasta brasileira Petra Costa entrevista 
Alexander Nanau,diretor do documentário Collective.
18 Jan. 2021

Lembrando do Abbas Kiarostami em São Paulo



    Abbas Kiarostami - 1940/2016.  Foto: Google

Uma boa boa cidadã
"São cerca de 5h da tarde, e as ruas estão cheias. Pessoas que voltam do trabalho. O trânsito é intenso e o sol de primavera em breve vai se pôr, no fim da avenida. Está tão quente que parece verão, e talvez seja esse calor prematuro o que convida essa gente bonita a sair para dar as boas-vindas à estação que nem se iniciou. Sua beleza particular e seu jeito de andar, também particular, atraem a atenção. E, em meio à multidão, destacam-se rostos marcantes, incomuns.

O rosto de um menino cuja aparência não esconde sua condição de criança de rua é, ao mesmo tempo, diferente e atraente. Seus olhos estão cobertos por um boné de croché preto. Não se pode vê-los. Ele está usando um short preto velho e cheio de buracos sobre uma calça branca enfiada em meias com padrões amarelos. Nos pés, sapatos de algodão cor-de-laranja. O menino carrega no ombro uma bolsinha branca com uma leveza tal que parece que ela está cheia de ar. Ele se move com determinação e auto-confiança. Sua aparência, seu jeito de vestir e de andar me levam a segui-lo. Lembre-se de que não tenho nada para fazer e quero matar o tempo."
(Trecho de um artigo em que o diretor iraniano 
Abbas Kiarostami narra um de seus passeios pela avenida Paulista em 1994, quando ele estava em São Paulo Mostra Internacional de Cinema.  Folha de São Paulo. Caderno Mais!  11 Jan. 1998).

"A última floresta", "A última nação indígena"










A nota do crítico José Geraldo Couto, publicada na Conexão planeta e no blog do IMS, sobre o filme de Luiz Bolognesi, A última floresta. A nota e o filme são altamente recomendáveis.

"Kafka y la muñeca viajera" - Jordi Sierra i Fabri

"En 1923, viviendo en Berlín, Kafka solía ir a un parque, el Steglitz, que todavía existe. Un día encontró a una niñita llorando, porque había perdido su muñeca. Kafka inventó al instante una historia: la muñeca no estaba perdida, sólo se había ido de viaje, para conocer mundo. Y le había escrito a su dueña una carta, que él tenía en su casa y le traería al día siguiente. Y así fue: esa noche se dedicó a escribir la carta, con toda seriedad. (Dora Diamant, que cuenta la historia, dice: "Entró en el mismo estado de tensión nerviosa que lo poseía cada vez que se sentaba a su escritorio, así fuera para escribir una carta o una postal"). Al día siguiente la niña lo esperaba en el parque, y la "correspondencia" prosiguió a razón de una carta por día, durante tres semanas. La muñeca nunca se olvidaba de enviarle su amor a la niña, a la que recordaba y extrañaba, pero sus aventuras en el extranjero la retenían lejos, y con la aceleración propia del mundo de la fantasía, estas aventuras derivaron en noviazgo, compromiso, y al fin matrimonio e hijos, con lo que el regreso se aplazaba indefinidamente. Para entonces la niña, lectora fascinada de esta novela epistolar, se había reconciliado con la pérdida, a la que terminó viendo como una ganancia." (fragmento do artigo do escritor argentino Cesar Aira, publicado no jornal El País/Babelia, em 07 mai. 2004)


 

Alfredo Bosi: "Caminhos entre a literatura e a história"



"A São Paulo do segundo pós-guerra já não era aquela cidade ítalo-brasileira dos anos de 1920 que os modernistas cantaram e contaram. Mas, desprezando solenemente as cautelas didáticas e apostando tudo na palavra do filósofo e na força maior da nossa ânsia de aprender, o professor Ítalo Bettarello abria o seu curso lendo o período inicial da Aesthetica in nuce de Benedetto Croce: Se si prende a considerare qualsiasi poema per determinare che cosa lo faccia giudicar tale, si discernono allá prima, costanti e necessari, due elementi: un complesso d’immagini e un sentimento che lo anima." (Texto publicado no site A Terra é Redonda em 12 Abr. 2021.  Foto: Lili Martins - 18.mar.99/Folhapress/Folha de São Paulo/09 Abr. 2021) 

Alfredo Bosi: "Cultura brasileira: tradição contradição"

"Se nós queremos, ao contrário, construir uma sociedade democrática, acho que, nesse particular, devemos repensar a fundo o conceito de cultura e destruir em nosso espírito ou, pelo menos, relativizar fortemente a ideia de que a cultura é uma soma de objetos. Porque os objetos, considerados “em si”, os quadros, os livros, as estátuas, ocupam um determinado lugar no espaço, eles são sempre o outro. Por mais que eu contemple este quadro, na medida em que eu o considere como um fato, como um objeto fora de mim e fora do meu convívio, eu olharei para ele um pouco como um crente olha para o fetiche. É a ideia do fetichismo. É alguma coisa que eu não entendo, não vou entender nunca, e aliás é até muito bom que eu não entenda, porque isso dá ao objeto um mistério, um fascínio, uma magia, que se distancia de mim e faz com que eu o reverencie, como alguma coisa que eu não vá nunca alcançar."

(fragmento do texto de uma palestra do Professor Alfredo Bosi, publicado originalmente no site Arte Pensamento - IMS (1987) e no site A Terra é Redonda,em 
09 Abr. 2021)

Para Nivaldo Santiago, In Memoriam

Poema da despedida (Mia Couto)
"Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo."

 

Mia Couto, em "Raiz de orvalho e outros poemas". Lisboa: Editorial Caminho, 1999. Fonte: Prosa e Poesia em Língua Portuguesa (grupo público) 

Deseo de escribir!

 " Por el gusto de escribir algo: después de muchos día de silencio escritural me ha asaltado en el baño, mientras me lavaba las manos,...