Arquivo do blog

17.1.22

Do Eric para o Thiago

"Lembro de um homem angustiado, indignado, mas cheio de fé na vida. Falamos do Brasil distante e de seus tempos chilenos, de sua amizade muito próxima com Pablo Neruda e Violeta Parra. De como foi ter traduzido Neruda para o português do Brasil e ter sido por Neruda traduzido para o castelhano. Falamos da sua dor por ter visto sua pátria adotiva ser destroçada." (Belíssimo texto dedicado pelo escritor Eric Nepomuceno ao amigo Thiago de Mello, recentemente publicado no site da Carta Maior. Leitura altamente recomendável).

Thiago de Mello e seus amigos

Uma interessante conversa na TV Tutaméia, com a participação da jornalista e tradutora Rosa Freire d´Aguiar e do fotógrafo Samuel Iavelberg.

14.1.22

"Memória para o esquecimento", do palestino Mahmud Darwich

"Eu quero o aroma do café. Nada além do aroma do café. De cada dia,não quero nada além do aroma do café para me manter unido, me erguer, passar de algo que rasteja a um ser ereto, colocar de pé o que me cabe deste amanhecer, para que possamos sair à rua, este dia e eu, à procura de outro lugar."
...
"Como posso lavrar o aroma do café em minhas células, enquanto as bombas avançam pela fachada da cozinha que fica de frente para o mar, espalhando o cheiro de pólvora e o gosto do nada? Começo a medir o tempo entre duas bombas. Um segundo. Um segundo é mais breve que o tempo entre inspirar e expirar, entre dois batimentos cardíacos."
...
"E o café, para quem como eu o conhece, significa fazê- lo com as próprias mãos, e não recebê- lo numa bandeja, pois quem traz a bandeja traz junto a conversa, e a primeira xícara de café, a virgem da manhã silenciosa, é arruinada pela conversa. O amanhecer, o meu amanhecer, é avesso à fala. O aroma do café pode absorver sons - mesmo um animado e gentil ´Bom dia!´- e rançar."
(Trechos do belíssimo livro do escritor palestino Mahmud Darwich [1941-2008], editado pela Tabla (2020), com uma primorosa tradução de Jafa Jubran. Altamente recomendável!)

 

13.1.22

"Verás un mar de piedras", do poeta chileno Raúl Zurita.



Belíssimo! 

Resenha para o livro de Anselm Jappe, "A sociedade autofágica..."


"Todos os atributos tecnológicos facilitadores e promotores de imagens representam – além do fortalecimento da figura do ser que espera tudo à mão rapidamente sem considerar o aparato social por traz de qualquer produto ou serviço – um declínio na difusão da leitura e de capacidades criativas e de raciocínio. A própria crise ecológica se mostra de difícil solução numa realidade em que se faz necessário ganhos cada vez maiores de produtividade." (Trecho da resenha escrita por Alexandre Maruca para o livro de Anselm Jappe. A íntegra da resenha está disponível no site A terra é redonda)

 

9.1.22

Que falta faz a Nara Leão!

Excelente o doc sobre a Nara Leão que assisti nestes dias intensamente chuvosos de Belo Horizonte. Emocionante em muitos dos seus trechos, impossível não retornar aos anos sessenta e setenta, aos tempos de Nara. Vivi nos tempos de Nara Leão, e me considerado privilegiado por ter conhecido ainda muito jovem a grande artista brasileira. Além disso, só posso dizer que o documentário é, no mínimo,  altamente recomendável.


E este belíssimo poema do Carlos Drummond de Andrade.

Claude Lévi-Strauss: "Elogio del trabajo manual"

Foto de Lévi-Strauss, no Collège France, em
1992 (fotógrafo não identificado)

Recomendo a leitura do excelente discurso pronunciado pelo antropólogo francês por ocasião do recebimento do Premio Internacional Nonino (Udine, Italia) em 1986, transcrito do excelente blog Nota Antropologica, onde pode ser lido na íntegra.

"
Subsiste aún hoy una complicidad entre esa visión de las cosas y la sensibilidad del campesino y el artesano tradicionales. Estos, efectivamente, por seguir manteniendo un contacto directo con la naturaleza y con la materia, saben que no tienen derecho a violentarlas, sino que deben tratar pacientemente de comprenderlas, de atenderlas con cautela, diría casi de seducirlas, a través de la demostración permanentemente renovada de una familiaridad ancestral hecha de cogniciones, de recetas y de habilidades manuales transmitidas de generación en generación.

Por eso el trabajo manual, menos alejado de lo que parece del pensador y del científico, constituye asimismo un aspecto del inmenso esfuerzo desplegado por la humanidad para entender el mundo: probablemente el aspecto más antiguo y perdurable, el cual, más próximo a las cosas, es también el más apto para hacernos captar concretamente la riqueza de éstas, y para nutrir el asombro que experimentamos ante el espectáculo de su diversidad.

En la actualidad, nos dedicamos a organizar bancos de genes para preservar lo poco que sobrevive de las especies vegetales originales creadas a lo largo de los siglos por modos de producción totalmente distintos de los practicados ahora. Esperamos también eludir los peligros de la llamada ´revolución verde´, vale decir, una agricultura reducida a pocas especies vegetales de gran rendimiento, pero tributarias de sustancias químicas y cada vez más vulnerables a los agentes patógenos." 

2.1.22

Caderno aTempo - Vol. 5

 


O Caderno aTempo é uma publicação digital,  bienal, do Núcleo de Design e Cultura da Escola de Design da UEMG, que pretende proporcionar um espaço para a ampliação das fronteiras que permeiam as discussões sobre arte e design, na perspectiva histórica. Para este quinto volume do Caderno, fruto de exitosa cooperação estabelecida entre o Núcleo de Design e Cultura e a Atafona,  foi escolhido o tema Patrimônio, com o objetivo de refletir sobre as diversas abordagens, conceitos e pressupostos teóricos, descrições e análises sobre a gênese das preocupações brasileiras e, principalmente, trazendo exemplos de bens, de diferentes naturezas, de modo a tornar evidente um campo de estudos para o qual esse debate  ainda é muito necessário.

Este volume traz artigos assinados por Ataídes Freitas Braga, Cinthia Mayumi Aizawa, Cristiane Gusmão Nery, Debora Raiza Carolina Rocha Silva, Flavio de Lemos Carsalade, Francisca Ferreira Michelon, José Rocha Andrade, Juliana Cardoso Nery, Mauro Luiz da Silva, Nila Rodrigues Barbosa, Paula Garcia Lima, Rodrigo Espinha Baeta, Tiago de Castro Hardy e Vânia Myrrha de Paula e Silva.

Cooordenadora: Marcelina Almeida. Organizadores: Giselle Safar, Edson Carpintero e Marcelina Almeida. Projeto gráfico: Ágatha Araújo, Joana Alves e Lucas Motta. Fotografia: Zé Rocha. Revisores: Patrícia Pinheiro e Matheus Reis. Divulgação: Lucas M.R. Faria e Vinicius Gonzaga. Editor: Mário Santiago. 
ISBN: 978-65-86805-13-0
Disponível para leitura on-line e download

Do Eric para o Thiago

" Lembro de um homem angustiado, indignado, mas cheio de fé na vida. Falamos do Brasil distante e de seus tempos chilenos, de sua amiza...