André Ricard e o design da vida cotidiana.

Cotidiano es todo lo que, cada día, de un modo recurrente nos acontece. De modo que cuando hablamos de vida cotidiana nos referimos simplemente, a la vida misma. Son, en efecto, pocas las ocasiones en que lo que vamos viviendo no forma parte de esta cotidianeidad. En este discurrir continuo de acciones que el vivir supone, nos codeamos, vemos, tocamos, utilizamos, todo un repertorio de cosas de factura humana ingeniadas para hacer más soportable la vida de cada día. Si según Max Frisch, ´sólo un milagro permite soportar la vida cotidiana´; esas cosas útiles que amueblan nuestra vida son y han sido, desde los tiempos primitivos, ese ´milagro´ necesario. Un milagro que es posible por la habilidad que tiene la condición humana para crear las cosas que necesita y que la naturaleza no le proporciona. Siendo así que existimos gracias a esas muchas cosas que nos auxilian en cada momento, en cada acción que emprendemos.Interessantíssimo ensaio do professor André Ricard, publicado hoje no Foroalfa. Na mesma seção do jornal podem ser lidas opiniões de leitores apressados e pontos de vista meramente instrumentais do design, o que certamente não abala a qualidade da reflexão do professor espanhol.

O inferno do trânsito nas cidades do Brasil.

Entrevista com o antropólogo Roberto Da Matta sobre o trânsito nas cidades brasileiras. Rádio CBN, 20/11/2010. Ler também a entrevista sobre este e outros assuntos, publicada na revista Trip no. 192.

Igor Pantuzza Wildmann: J’ACUSE !!!

Recebí de uma amiga este belo, comovente e dramático desagravo/tributo escrito por um ex-professor do Instituto Metodista Izabela Hendrix, para o qual o autor solicita divulgação livre e sem moderação. Faço-o com intenso prazer, caro professor. Esta é a  minha modesta forma de contribuir com o seu tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes.
Divulguem!, Amplifiquem!, Espalhem!

J’ACUSE !!!

(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.”

(Émile Zola)

“Meu dever é falar, não quero ser cúmplice.”

(Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e  imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...  

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal a o autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam  analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;  

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;  

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição. 

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;  

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.  

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.  

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”  

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

Scott Fitzgerald: “Tenho que escrever contos e têm que ser contos que vendam”.

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Durante su vida, el autor de “El gran Gatsby” tuvo que sobrevivir escribiendo relatos para revistas. Algunos de ellos, cargados de melodrama y cierta genialidad, se recuperan a 70 años de su muerte.” Clarin. Literatura.

Jacques Roubaud: “La poesía es uno de los caminos para salvarnos”.

“En esta ciudad que no te gusta Donde has pasado tantos días Que te repugna hasta el contarlos ¡Miedo a cuanto no reconoces! ¡Miedo de todo lo que has visto! Calles arriba calles abajo Clases de nueve clases de barro Clases de mutismo bocas de lobo En esta ciudad que no te gustaba De la que no supiste nuca desviarte Por culpa de todo lo que no sabes Trabajando por sílabas todos estos veranos Pasmado por los muertos que se te han muerto aquí En esta ciudad que no te gustaba.”

Entrevista com o poeta Jacques Roubaud, publicada hoje no jornal Página12.

Walter Benjamin e a literatura brasileira.

Artigos contendo leituras benjaminianas de autores da literatura brasileira, publicados no Dossiê no. 5 da Revista Literatura e Autoritarismo, dirigida pelos professores Jaime Ginzburg (USP) e Rosani Umbach (Universidade Federal de Santa Maria/RS).

O Brasil ancestral visto por Darcy Ribeiro.


Interessantíssima reportagem veiculada pela TV Globo, nesta noite, sobre a exposição de fotografias do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro.

Román Gubern: cuidados com a tecnofobia.

Uma aula com o teórico espanhol (em Mar del Plata) sobre o futuro do audiovisual, do 3D à  realidade virtual imersiva. Artigo publicado no Caderno Ñ do jornal argentino Clarin.

Arte, um fim em si mesmo.

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Outra entrevista com a filósofa húngara Agnes Heller, publicada no caderno ADNCultura do jornal La Nación, de Buenos Aires, em 12/11/2010. 

Setenta anos sem Walter Benjamin.

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“Un pueblo de pescadores al norte de la Costa Brava, en el límite con Francia. A diferencia de otros, no se ha convertido en un centro turístico importante. Es más, podría decirse que se ha quedado en el tiempo. Todo Portbou parece un lugar de memoria, como si hubiera detenido su ritmo –el ferrocarril y la aduana no tienen la importancia de antes– para rendir homenaje al más ilustre de sus huéspedes…hace 70 años, un escritor judío alemán encontró aquí su última morada.” Ler a íntegra do texto de autoria de Eduardo Jozami, publicado hoje no jornal argentino Página12.

Agnes Heller: “Odiar el presente es como odiarnos a nosotros mismos”.

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“(…) en este tiempo postmetafísico no hay más lugares centrales, ni verdades centrales, ni “ismos”, ni personas centrales”. Trecho da entrevista com a pensadora húngara Agnes Heller, publicada hoje no jornal argentino Página12.

Néstor G. Canclini: el arte fuera de sí.

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O tubarão no formol , de Damien Hirst. 
Foto: Nils  Jorgensen

Fragmento de La sociedad sin relato, interessantíssima reflexão sobre a arte contemporânea, do antropólogo argentino Néstor Garcia Calclini, publicada hoje no caderno ADNCultura, do jornal La Nación.

Borges e Benjamin.

Interessante matéria publicada hoje no jornal Página12 sobre as simetrias que existiram entre o escritor argentino e o filósofo alemão.

Fragmentos do pensamento de José Saramago (2).

"No hay solución para la universidad, para sus problemas, si no se encuentra solución antes a los problemas de la enseñanza primaria y media; todo es un bloque homogéneo y coherente... A la universidad tendrían que llegar alumnos instruidos y educados. ¿Cómo hacerlo? Habrá que encontrar las fórmulas. Lo contrario es no respetarse, jugar con malas cartas una partida que no puede acabar bien. Y recordemos que la mesa de juego es la sociedad.

La universidad es el último tramo formativo en el que el estudiante se puede convertir, con plena conciencia, en ciudadano; es el lugar de debate, donde, por definición, el espíritu crítico tiene que florecer: un lugar de confrontación, no una isla donde el alumno desembarca para salir con un diploma.

No se trata sólo de instruir, sino de educar. Y, desde dentro, repercutir en la sociedad. Aprendizaje de la ciudadanía, eso es lo que creo sinceramente que falta. Porque, queramos o no, la democracia está enferma, gravemente enferma, y no es que yo lo diga, basta mirar el mundo..."
In Democracia y universidad. Editorial Complutense.

Fragmentos do pensamento de José Saramago (1).

Para pensar e pensar…

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma”.
Outros cadernos de Saramago.

O novo “retorno” da Filosofia.

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Entrevista com o filósofo francês François Dosse, publicada no suplemento ADNCultura, do jornal argentino Nación em 29/05/2010 e postada com atraso neste blog.

Os sinos dobram por José Saramago.

Aí está um belo texto do escritor português hoje falecido, lido por ocasião do encerramento do Forum Social Mundial, Porto Alegre, 2002.

Este mundo da injustiça globalizada

José Saramago

Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda. Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês. "Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."
Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar urbi et orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça. Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido... Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo...
Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.
Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia. Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações. Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos. Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.
E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes...
Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.
Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.

La rebeldía ilustrada.

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Breve comentário sobre o livro Los ultras de las Luces,
do filósofo francês Michel Onfray, publicado no caderno ADN Cultura do jornal Nación, de Buenos Aires.

Perguntas de um trabalhador que lê.

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¿Quién construyó Tebas, la de las siete puertas?
En los libros se mencionan los nombres de los reyes. ¿Acaso los reyes acarrearon las piedras?
Y Babilonia, tantas veces destruida, ¿Quién la construyó otras tantas? ¿En que casasde Lima, la resplandeciente de oro, vivían los albañiles?
¿Adónde fueron sus constructores la noche que terminaron la Muralla China?

Roma la magna está llena de arcos de triunfo. ¿Quién los construyó?
¿A quienes vencieron los Césares? Bizancio, tan loada, ¿Acaso sólo tenía palacios para sus habitantes?
Hasta en la legendaria Atlántida, la noche que fue devorada por el mar, los que se ahogaban clamaban llamando a sus esclavos.
El joven Alejandro conquistó la India. ¿Él sólo?
César venció a los galos; ¿no lo acompañaba siquiera un cocinero?
Felipe de España lloró cuando se hundió su flota, ¿Nadie más lloraría?Federico Segundo venció en la Guerra de Siete Años, ¿Quién más venció?

Cada página una victoria.
¿Quién guisó el banquete del triunfo?
Cada década un gran personaje.
¿Quién pagaba los gastos?
Tantos informes, tantas preguntas.
Bertolt Brecht

Outra história dos frankfurtianos.

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“Adorno, Horkheimer, Benjamin, Marcuse, Habermas son apellidos centrales del pensamiento del siglo XX ligados a la Teoría Crítica y rescatados por "La Escuela de Fráncfort", una monumental biografía intelectual colectiva, recién editada en castellano”. A escritora argentina Beatriz Sarlo analisa o livro de Rolf Wiggershaus,  La Escuela de Fráncfort. Luis Ignacio García escreve sobre a influência dos frankfurtianos na Argentina. Um fragmento do livro. Matéria publicada no jornal Clarin/Caderno Ñ, em 27/03/2010.

Simone Weil. Filosofía en carne propia.

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El ruido de la máquina

La fábrica podría llenar el alma con el poderoso sentimiento de vida colectiva –podría decirse que de una forma unánime– que otorga al obrero su participación en el trabajo de una gran industria. Todos los ruidos tienen un sentido, todos están ritmados y se funden en una especie de gran respiración del trabajo en común, en la cual se embriaga uno si forma parte de él. Y ello es tanto más embriagador, porque la soledad no queda alterada. No existen más que ruidos metálicos, mordeduras en el metal; ruidos que no hablan de naturaleza ni de vida, sino de la actividad seria, sostenida permanentemente y siempre cambiante, lo que sobresale, fundiéndose al mismo tiempo con ella, es el ruido de la máquina que uno dirige. No se tiene, en principio, una sensación de pequeñez como la que se tiene al encontrarse inmerso en la muchedumbre, sino la de ser indispensable. Las correas de transmisión, donde las hay, permiten beber con los ojos esta unidad de ritmo que siente todo el cuerpo por los ruidos y por la ligera vibración de todas las cosas. En las horas sombrías de la mañana y en las tardes de invierno, cuando sólo brilla la luz eléctrica, todos los sentidos participan de un universo en el cual nada...”.
Matéria sobre a importante pensadora francesa, publicada no jornal argentino Clarin.

Manifesto por um Etnodesign.

Caros amigos, acabo de publicar em meu site o texto integral do Manifesto por um Etnodesign, elaborado por mim e exposto pela primeira vez numa palestra realizada (também por mim) em 08 de maio de 2002, na antiga (e agora inexistente) sede da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (Av. Amazonas, 6252 - Gameleira).  Depois de tantos anos "engavetado", considero este momento oportuno para tornar público o citado documento. Apreciaria se pudessem oferecer comentários e questões ao citado texto, assim como agradeceria pela sua divulgação. Agradecimentos ainda perduram aos seus inspiradores, os meus amigos, colegas e professores, Marco Tulio Boschi e Osvaldo Amaral.

“Embrace life”. Uma verdadeira obra-prima.

Há, na vida, muito mais possibilidades do que acham aqueles que insistem em restringir a nossa imaginação.

Andy Warhol.

Andy Warhol 
A antena da cultura pop”.
Interessante matéria publicada pela Revista Bravo! – Março/2010, a propósito daexposição de Andy Warhol no Brasil.

Biblioteca Flusseriana.

A partir de hoje a página www.mariosantiago.net conta com um novo e importante segmento - a Biblioteca Flusseriana, um espaço dedicado à disseminação de textos do filósofo Vilém Flusser, assim como dos seus leitores e comentadores mais competentes. O que pretendo com isto é contribuir para a amplificação do corpo de ideias desse importante pensador e da fortuna crítica que vem sendo produzida a respeito do mesmo, no Brasil e em outros países. Depois de três anos de estudos de textos de Vilém Flusser que venho fazendo com os alunos dos cursos de design da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais, sinto-me encorajado a contribuir, embora modestamente, com o necessário trabalho de difusão do pensamento do filósofo tcheco,  que se tornou um filósofo também brasileiro, cuidando para que o seu pensamento seja lido a partir dos seus elementos de efetividade, do que realmente significa, com o rigor com que merece ser abordado e evitando leituras e alusões corrosivas (lembro aqui da crítica que fez a escritora argentina Beatriz Sarlo aos maus leitores de Walter Benjamin) aos seus textos e ao conjunto do seu complexo pensamento. Aqueles que se identificarem com estes propósitos que se sintam convidados a compartilhar desta tarefa.

A morte de Ariel Ramírez.

Notas publicadas em jornais argentinos sobre a morte do grande compositor argentino Ariel Ramírez. Ramirez é o autor da música da famosa Misa criolla, uma peça rara da música latinoamericana. Ler notícias em Página 12 e Clarin e ouvir  dois fragmentos da Misa criolla, com Mercedes Sosa: Kyrie e Agnus Dei. Ver também interessante nota publicada no caderno de cultura do jornal La Nacion.

Para lembrar de Georges Perec.

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La prensa diaria habla de todo menos del día a día. La prensa me aburre, no me enseña nada; lo que cuenta no me concierne, no me interroga y ya no responde a las preguntas que formulo o que querría formular…lo que realmente ocurre, lo que vivimos, lo demás, todo lo demás, ¿dónde está? Lo que ocurre cada día y vuelve cada día, lo trivial, lo cotidiano, lo evidente, lo común, lo ordinario, lo infraordinario, el ruido de fondo, lo habitual, ¿cómo dar cuenta de ello, cómo interrogarlo, cómo descubrirlo?
Duas interessantes reflexões a partir de L’infra-ordinaire, de Georges Perec: de Edgar Borges, publicada no ARGENPRESS e de Ana Luiza Carvalho da Rocha/Cornelia Eckert.

Eric Rohmer (1920? – 2010)

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Nota sobre o cineasta francês falecido ontem, aos 89 ou 90 anos de idade. Publicada no jornal Página12. Outras notas nos jornais L´Express e Nación. Abaixo, um belo texto do homem que fazia do cinema uma possibilidade de reflexão sobre a vida cotidiana.

Textual

“Algunos dicen que mi cine es literario. Que lo que digo en mis películas podría decirlo en una novela. Sí, pero se trata de saber qué es lo que digo. El discurso de mis personajes no es forzosamente el de mi película.

En los “Cuentos morales”, es cierto, hay una intención literaria, una trama novelesca establecida de antemano, que podría ser un material para desarrollar por escrito, como a veces efectivamente lo hago, en forma de comentario en off. Pero ni el texto de este comentario ni el de los diálogos son mi película: son cosas que filmo, de la misma manera que los paisajes, los rostros, el modo de andar, los gestos. La palabra forma parte, al igual que la imagen, de la vida que ruedo.

Lo que “digo” no lo digo con palabras. Tampoco con imágenes, mal que les pese a todos los sectarios de un cine puro que “hablaría” con las imágenes, como un sordomudo habla con las manos. En el fondo, yo no digo, muestro. Muestro a gente que actúa y habla. Eso es todo lo que sé hacer, pero ahí está mi verdadera intención. El resto, estoy de acuerdo, es literatura.

Es cierto que podría “escribir” las historias que filmo. La prueba es que efectivamente las he escrito: hace mucho tiempo, cuando todavía no había descubierto el cine. Pero no me sentía satisfecho. No sabía escribirlas bien. Es por ello que las filmé. Cuando filmo, intento arrancar todo lo que puedo a la vida misma. No pienso demasiado en el argumento, que es un mero armazón, sino en los materiales con que lo lleno y que son los paisajes en los que sitúo mi historia, los actores que he elegido para interpretarla.

¿Dónde encuentro mis temas? En mi imaginación. Ya he dicho que veo el cine como un medio, si no de reproducir al menos de representar, de recrear la vida. Debería, pues, por lógica, encontrar mis temas en la experiencia. Pues no, en absoluto: son temas de pura invención. Contrariamente a la novelista de La rodilla de Clara, no descubro: invento. O, más bien, ni siquiera invento: combino algunos elementos primarios, en cantidades raras, como hace el químico. Aunque propondría más bien el ejemplo del músico, puesto que concebí mis “Cuentos morales” a la manera de seis variaciones sinfónicas. Como el músico, varío el motivo inicial, lo ralentizo o lo acelero, lo amplío o lo reduzco, le doy cuerpo o lo depuro. A partir de la idea de mostrar a un hombre interesado por una mujer en el mismo momento en que va a relacionarse con otra, he podido construir mis situaciones, mis intrigas, mis desenlaces, incluso mis caracteres. El protagonista, por ejemplo, en un cuento será un puritano, como en Mi noche con Maud; en otro será un libertino, como en La coleccionista o La rodilla de Clara. Tan pronto será frío como exuberante, flemático o sanguíneo, a veces más joven que su pareja, otras veces de más edad, en ocasiones ingenuo o desalmado. No hago retratos del natural: dentro de los límites estrictos que me impongo, presento diferentes tipos humanos. Mi trabajo se limita así a una vasta operación combinatoria que he proseguido sin método, es cierto. Aunque habría podido perfectamente confiarlo al cuidado de una computadora, como hacen algunos músicos actuales.”

Extracto del artículo “Carta a un crítico”, publicado en La Nouvelle Revue Française en 1971 y recopilado en El gusto por la belleza (Editorial Paidós, 2000).

“La ciencia es un bien público, le pertenece a cualquiera”.

Diálogo com o filósofo canadense Andrew Feenberg, discípulo de Herbert Marcuse, que vem desenvolvendo uma teoría crítica da tecnología e sua relação com a ciência e a democracia. Publicado hoje no jornal argentino Página12.

Revista Ñ - 2009

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Edição especial da Revista Ñ, do jornal Clarin, de Buenos Aires, com a coletânea de todos os números publicados em 2009.