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18.12.21

De volta a Fanon, ao primeiro Fanon


  Frantz Fanon (1925-1961)

Pele negra, máscaras brancas


Este trecho de Pele negra, máscaras brancas (1952)foi selecionado da postagem encontrada no Portal Geledés, onde há também um link para o texto integral desse belíssimo livro.

Na edição (2020) da editora Ubu há um belíssimo prefácio da escritora portuguesa Grada Kilomba. Eis um trecho desse prefácio:

"Sem se aperceber, a minha professora de psicanálise segredou-me, porque de facto se tratava de um segredo. De algo que a ninguém se deve revelar. Algo censurado, proibido, que se oculta à vista e ao conhecimento. Algo que não deve existir no mundo da branquitude. Na biblioteca, Frantz Fanon não existia, e assim eu também não. Falo de novo sobre existência e ausência. Afinal, eu era a única estudante negra em todo o instituto de psicologia clínica e psicanálise, numa cidade recheada de várias gerações afrodescendentes, e aquela professora notou. Ela notou o princípio da ausência. O princípio no qual quem existe deixa de existir. E é com este princípio da ausência que espaços brancos são mantidos brancos, que por sua vez tornam a branquitude a norma nacional. A norma e a normalidade, que perigosamente indicam quem pode representar a verdadeira existência humana. Só uma política de cotas é que pode tornar o ausente existente. A entrega deste livro talvez não tenha demorado mais do que seis minutos, ou sete, mas foi um momento que mudou radicalmente o meu mundo, sem ela o saber. Pois Frantz Fanon tornou-se o centro de todos os meus trabalhos, tanto literários como artísticos."


Ler também esta nota de Anne Mathieu, publicada em 2009 no Diplomatique/Brasil. Dois textos altamente recomendáveis!

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