"A performance a que me refiro aqui é intrínseca ao próprio ato de realização da obra poética. Para Ana Cristina, o texto (poema ou prosa) é sempre construção, mais do que composição. No caso do segundo, por exemplo, sua construção tem semelhança com a forma do palimpsesto: uma parte se constrói a partir de outra, em cima de outra, enquanto sua leitura exige a desconstrução dessa mesma forma construída. O leitor logo observa que as palavras têm semelhança gráfica e fonética, e são substituídas performaticamente. A mudança da parte I para a parte II não é apenas visual, embora essa diferença também seja sutil. As palavras, inscritas no campo semântico do corpo da mulher e da escrita, têm significados diferentes, mas passam a ser sinônimas no corpo do poema: seios e textos; bicos e letras; concentrar e esconder; rabisco e nutro; meio e seio."
(Ensaio de Anélia Montechiari Pietrani, publicado na edição 313 da revista Cult).
Conversas sobre as coisas que leio, ouço, vejo e quero compartilhar. Um arquivo de textos jornalísticos e críticos e imagens...fragmentos de ideias, imagens e pensamentos sobre as coisas pelas quais me interesso: arquitetura, artes, cidades, cinema, design, filosofia, fotografia, literatura, memória, moda, música... Peço que, ao mencionarem ou reproduzirem o conteúdo deste blog, deem os créditos, especialmente das fontes originais (Mário Santiago)
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7.10.26
Ana Cristina Cesar e a poesia “da” mulher
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Ana Cristina Cesar e a poesia “da” mulher
" A performance a que me refiro aqui é intrínseca ao próprio ato de realização da obra poética. Para Ana Cristina, o texto (poema ou pr...